segunda-feira, 3 de agosto de 2020

TRE-BA 88 anos: servidoras falam sobre a experiência do serviço público como uma escolha de família

No aniversário do TRE-BA, servidoras partilham histórias que atravessam gerações, de quem passou a infância nos corredores do Tribunal até quem se aposentou e viu a família trilhar o mesmo caminho

             
  
Para alguns servidores do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, não é exagero afirmar que o trabalho no TRE-BA é assunto de família. Três gerações da família Oliva, por exemplo, viveram diferentes momentos do Eleitoral baiano. A história começa com Terezinha Oliva, 95 anos, a primeira a fazer parte do quadro. Ela ingressou em 1962, aprovada em primeiro lugar no concurso público. Foram 30 anos dedicados ao TRE da Bahia. 

A filha dela, Acidalia Maria (mais conhecida como Cida), 61 anos, passou a infância nos corredores do Fórum Ruy Barbosa. A menina cresceu, formou-se em administração de empresas e não pensava em atuar no serviço público. Quando casou e engravidou, resolveu deixar o trabalho no Pólo Petroquímico. No mesmo ano em que a filha nasceu, em 1980, o TRE-BA abriu concurso público. 

Cida não queria fazer, mas a mãe insistiu. “Ela disse para eu tentar, que não podia ficar sem trabalhar, que seria bom para mim”, lembra. Aprovada, achou que iria “passar uma chuva” e, assim que a filha crescesse, ela voltaria para a iniciativa privada. Ficou 32 anos no TRE-BA. “Fiz especialização em gestão pública e fui muito feliz em minha carreira. Cheguei a conviver com minha mãe no Tribunal e fui colega dos amigos dela, gente que eu chamava de tio e de tia”. 

Aqui começa a terceira geração dessa história, repetindo um pouco o que aconteceu com Cida. A filha, Érica, também cresceu nos corredores do TRE-BA, que então já estava na Vasco da Gama. Ela também chamava os colegas da mãe de tio e tia. Estudante de direito, preferiu prestar concurso do que trabalhar em escritório. Passou para o primeiro que fez, no Tribunal Regional Federal, em uma vaga de técnica. 

Quando o TRE-BA abriu concurso, Érica já tinha cinco anos no TRF. A vaga do Eleitoral era de analista e ela podia concorrer, porque tinha o diploma. Novamente, foi a mãe quem sugeriu. Érica não planejava a mudança, mas Cida a convenceu de que seria um progresso na carreira. Ela passou e está no TRE-BA até hoje, tendo convivido com a mãe como colega. 

É Cida quem resume o sentimento que une as três gerações. “O TRE-BA faz parte de nossas vidas e tudo o que temos hoje, de patrimônio financeiro e emocional, foi construído lá. É um órgão do qual nos orgulhamos muito e que sempre estará presente em nossas histórias”. Um amigo brinca que as crianças da família Oliva aprendem a ler no Código Eleitoral. Sobre isso, ela ri. “Só o tempo vai dizer se terei um neto ou uma neta para dar continuidade a essa história”. 

Tribunal desde a infância

A família Pinheiro também experimentou uma conexão de gerações nos serviços prestados ao TRE-BA. Primeiro foi Cleusa Pimentel, 93 anos, servidora desde os 21 e já aposentada. A filha, Mara Rosita, 56 anos, ia com frequência para o trabalho da mãe na cidade onde nasceu, Amargosa, no interior do estado. 

Mara traz as memórias de infância. “Adorava ver as pessoas tirando título de eleitor, que na época era datilografado e com fotos coladas, coisas que ajudava a fazer”. Ela entrou no Tribunal em 1989 e sempre se orgulhou de ser servidora. “Mesmo na época que levava uma eternidade para finalizar a apuração de uma eleição”, brinca. 

Para Mara, o cenário atual exige equilíbrio. “Vivemos um novo desafio com a pandemia de coronavírus, que é conciliar a segurança da população com a aglomeração gerada por uma eleição municipal. Tenho certeza que acharemos a solução ideal, norteada pela responsabilidade que a situação requer”.

Vale lembrar que o TRE-BA tem muitos outros exemplos de familiares – mães e filhos, irmãos e irmãs, marido e mulher – que construíram a história do Tribunal nesses 88 anos. Para todos, segue a nossa homenagem.



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